Não é de hoje que sabemos que a cena underground está engatinhando no Brasil. Mas o que talvez muitas pessoas não saibam é que além de mal organizada a cena é extremamente manipulada e uma cópia barata do tão execrado "maistream".
Falam tanto em independência, porque ter uma banda no meio independente é ser livre! Será?
As grandes bandas pagam jabá pra tocar no rádio para milhões de pessoas e as bandas independentes "abrem as pernas" em três categorias onde as bandas só se ajudam entre suas "categorias", pra tocar em lugares caindo aos pedaços.
A primeira categoria é das bandas "pequenas". Bandas que querem tocar a qualquer custo e a qualquer modo, é prato cheio pra organizadores picaretas, que em troca de uma vaga ridícula ao meio dia em algum festival HC, são obrigados a vender uma cota absurda de ingressos, muitas vezes pagando do bolso pra tocar.
Muitas dessas bandas, não todas, também são desprovidas de profissionalismo. Ficou muito fácil ter uma banda, gravar um cd, ter um estilo e sobre tudo se submeter a tais condições.
Por culpa própria, são estagnadas e com isso estagnando bandas que tem competência para galgar um tão almejado lugar ao sol, ou seria a um Pró HC?
A segunda categoria por sua vez, não consegue manter-se sozinha, precisa sempre de uma ajuda das bandas "maiores" para um bom show, não vendem ingresso e quando tocam sozinhas dependem da primeira categoria vender dezenas de ingressos para que ela possa receber o seu cachê. Diga-se de passagem, que nesses shows são necessárias muitas vezes quase uma dúzia de bandas para que a principal consiga seu troco.
Normalmente essa categoria, venera as bandas "grandes" e despreza as bandas que vendem dezenas de ingressos para promoverem seus shows.
Por sua vez a terceira categoria de bandas "grandes", tocam em grandes festivais, mas também enfrentam o mesmo problema com más condições, organizadores picaretas, mas com uma diferença, como tem algum nome, tem mais facilidade de valerem seus direitos.
São também as bandas que chegam ao local do show, fazem seu "trabalho" e vão embora com seu cachê.
Por trás de tudo isso, tem uma máfia, de organizadores, mídia especializada, músicos-empresários, que fazem com que a cena esteja nessa estagnação.
Culpa só deles?
Claro que não! Das bandas, por se deixar dividir em categorias, do público por aceitar tal atitude, e claro de pessoas completamente amadoras que lucram enquanto milhares de jovens sonhadores, só queriam uma oportunidade de fazer seu som.
Temos muito que aprender com o Maistream, pelo menos no que se diz respeito à safadeza.
Porque lá pelo menos a coisa funciona!